Laços De Família

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O princípio é o mesmo – se você não se valoriza, ninguém mais a valoriza. E isso incluindo familiares. Não é porque existe um laço de sangue que as pessoas vão se compadecer mais (ou menos) das outras. Se você se mostra frágil e dependente, a reação imediata é lhe classificar como tal.

E na hora das decisões, planos familiares, disputas de interesses, a sua voz não é ouvida, a sua opinião não é considerada, os seus interesses não são contados. Aqueles que a princípio deviam ser os que lhe protegeriam, às vezes parecem ser os que mais lhe ferem. Assim foi comigo.

Quando descobrem o que lhe aconteceu, se o seu ofensor é parte dessa mesma família, os mesmos laços de sangue a convencem a viver como se nada tivesse acontecido. A fim de não dividir a família, lhe aconselham a esquecer o ocorrido e continuar com a sua vida como se não houvesse passado, como se você não tivesse sido ultrajada. Você passa a viver como culpada e o seu ofensor, como inocente. Manter as aparências pelo bem da família é a ordem do dia.

Se você sofreu violência domestica, o conselho é não falar do assunto, pela felicidade de seus filhos. Mas seja sincera, qual criança pode crescer feliz, emocionalmente estável, se vem de um lar onde a violência predomina? Essa criança em breve passará a não lhe respeitar e grandes são as possibilidades de se tornar violenta no futuro.

A Bíblia nos deixa uma historia real, dura de ser lida, especialmente quando carregamos em nós as mesmas marcas daquela menina chamada Tamar. Única filha do Rei Davi, foi vítima de seu meio irmão, Amnon, que abusou dela, roubando-lhe não somente a pureza, mas a dignidade e o futuro. Após o ato consumado, diz a Bíblia que Amnon a odiou com todas as forças. Lembre-se de que a violência sexual não se trata de uma satisfação ao prazer, mas sim de ratificar domínio e autoridade àquele que não tem nenhuma autoconfiança.

E qual foi a reação de Absalão, seu irmão de sangue? Ele disse “Ora, pois, minha irmã, cala-te; é teu irmão.” E o verso termina dizendo que Tamar viveu uma vida solitária em casa de seu irmão ate o fim de seus dias. (2 Samuel 13:20)

Hoje a mulher tem um papel expressivo na sociedade e a nenhuma de nós o isolamento é imposto, mas será que você não tem condenado a si própria dessa forma?

Jamais se esqueça disso: Se você não se valorizar, ninguém o fará. Nem o seu ente mais querido.

Raabe

Baixa autoestima e os amigos

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Queria muito ter sido uma mosquinha para ver você semana passada tentando rebaixar Deus através dos seus pensamentos negativos sobre si própria.

Hoje vou começar a delinear as consequências desse comportamento em relação a amizades.

Quando você se vê pequena, incapaz e insegura, passa para aqueles que estão à sua volta essa mesma imagem a seu respeito.

Logo, para eles você se torna presa fácil, e como todos sempre querem estar perto daqueles que têm personalidade – os fortes e confiantes, e você não é assim, ser sua amiga passa a ser um ato de caridade.

É como se as pessoas lhe fizessem um favor e você fosse o elo mais fraco desse relacionamento.

A lei da sociedade consumista é uma só: o mais fraco serve ao mais forte! Está chocada? Mas é assim que você vive: servindo aos outros, ficando com a pior parte das tarefas só para “agradar às multidões”.

Quantas vezes você  foi a lugares que não queria ter ido, comprou roupas das quais não gosta, mentiu ou fez coisas que você não aprova só para contentar a um ou outro e “manter a amizade”?

Quantas vezes você não disse para si própria “mas se eu contrariar, vou sair perdendo, porque ela é minha única amiga”? Se você precisa se anular, perder a sua identidade para manter uma amiga, pois se você não ceder não existe amizade, será que vale a pena?

 Em decorrência de sua baixa autoestima, você se submete, se anula, se contraria, acha que as pessoas estão fazendo um favor em recebê-la, em convidá-la para um evento, pois não vê em si própria o valor que tem.

 Você se inspira em outras mulheres, que acha que são fortes, mas nunca parou para observar que por dentro elas também não se acham tão fortes assim e comentam sobre seus complexos.

 Quer dizer, você projeta uma imagem positiva acerca de alguém que é tão falha quanto você, mas não consegue projetar uma imagem positiva acerca de si mesma?

 Enquanto não mudar a forma que se vê, todos sempre serão melhores do que você. O que aconteceu com a criação perfeita à imagem de Deus?

Semana que vem vamos falar de família.

Construindo novas histórias em Goiás

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A Caminhada em Goiás foi um grande sucesso. Aproximadamente três mil mulheres se juntaram ao Projeto Raabe na passeata pelo dia da não violência contra a mulher. Muitas  foram atendidas pelas profissionais e voluntárias do Projeto, saíram de lá agradecidas e beneficiadas, e continuarão a receber esse acompanhamento.

 No entanto, o caso mais marcante aconteceu uma semana antes do evento. Atendemos C., uma advogada que saiu de casa sem rumo e entrou na igreja. Quando a encontramos, ela estava de óculos escuros, trêmula, e mal conseguia falar. Lhe apresentamos o Projeto Raabe e ela ficou muito feliz em saber que havia esse apoio ali. Chorando, tirou os óculos escuros e nos mostrou os hematomas.

 Nos contou que apanhava há cinco anos de seu marido, que tirou tudo dela. Ela só tem a roupa do corpo, e chegou até nós desesperada, mas só de saber que terá um apoio para recomeçar e vencer os traumas, seus olhos se iluminaram pela esperança. Ficou muito feliz e agarrou a mão que lhe foi estendida.

 É uma sementinha que vamos regar e tenho certeza de que na próxima edição da Caminhada ela poderá ajudar a muitas pessoas com um testemunho de superação, como o que nossa amiga L. deu durante o evento de sábado.

Ela foi violentada pelo pai desde os oito anos de idade e teve um filho desse abuso, na mesma praça que foi o ponto de partida de nossa passeata. A praça que foi testemunha de sua história de agressão, hoje é testemunha de sua história de vitória e da reunião de milhares de mulheres e homens que desejam virar de uma vez essa triste página de nossa História.

Assim como L., nossa nova amiga C. em breve contará seu presente como passado distante, e poderá ajudar tantas pessoas quantas foram ajudadas neste evento. Como em toda caminhada, damos um passo de cada vez, e a cada dia nos aproximamos mais de nosso objetivo.

Suzana Pagnocelli, Projeto Raabe – Goiás

Colaboração: Vanessa Lampert

Clique aqui para ver as fotos da Caminhada em Goiás.

Caminhada em Alagoas

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Em Alagoas,cerca de 2500 pessoas saíram às ruas na 2ª Caminhada Rompendo o Silêncio. Após a passeata que chamou a atenção de todos que se aproximavam, houve o evento oficial, com diversas atrações, e palestras que trouxeram informações importantíssimas para as convidadas.

A Presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Mulher,Eulina Ferreira Neta,esclareceu que com a mudança na lei Maria da Penha,no dia 09/02/12, o Supremo Tribunal  Federal decidiu que a denúncia de violência pode ser feita por um vizinho, familiar ou qualquer pessoa que conheça o problema (antes dessa decisão, apenas a própria vítima poderia denunciar) e que uma vez a denúncia feita, não poderá ser retirada. Muitas vezes as mulheres se sentiam ameaçadas,ou tinham pena do agressor e retiravam a queixa.

No entanto, é comprovado que quando não recebe punição pela violência praticada, o agressor volta a agir. E geralmente na próxima vez será ainda mais violento, e assim progressivamente. A mulher não deve entender a denúncia como uma vingança, mas como uma forma de evitar que aquilo aconteça novamente. Você pode até ter decidido perdoá-lo, mas é importante para ele, para você, para seus filhos e para toda a sociedade, que ele veja que há consequência de suas atitudes de violência. Aja com a cabeça, e não com o coração.

A Assessora da Mulher da Polícia Civil, Fernanda Ramires, destacou a necessidade do acompanhamento das mulheres vítimas da violência doméstica por órgãos públicos e entidades civis com o objetivo de proporcionar a essas mulheres um atendimento psíquico, social e jurídico. “A maioria dos casos atendidos  são de mulheres que sofreram ou sofrem agressões por seus maridos ou companheiros por um longo tempo e  que, na maioria das vezes, não os denunciam por falta de informação ou medo da reação do companheiro após a denúncia” ressaltou a assessora da mulher.

Porém, o silêncio não protege a mulher, que fica ainda mais vulnerável quando não expõe a situação para ninguém. O agressor se fortalece com o silêncio e a covardia de um ataque contra a mulher ganha mais intensidade quando pode ser feito às escondidas. Sua maior arma, mulher, é a coragem de falar, de expor, de buscar seus direitos. Essa é sua maior proteção.

Tivemos a também a presença da Advogada Daniela Fontan, e do Vereador Pr Marcelo Gouveia, que nos apoia desde a 1ª Caminhada Rompendo o Silêncio, e encerrou o evento com uma oração.

As convidadas e as Voluntárias do Projeto Raabe atenderam cerca de 140 mulheres que tiveram suas dúvidas esclarecidas e receberam a cartilha da Lei Maria da Penha, para se inteirarem a respeito de seus direitos. É importante estar por dentro da lei, e não ter medo de agir enquanto há tempo.

Helena Ferreira Gouveia, Projeto Raabe – Alagoas e Vanessa Lampert

 

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Notícias da Caminhada – O que é romper o silêncio?

Quando falamos em “Romper o silêncio” não queremos apenas incentivar as vítimas de violência doméstica a contar o que aconteceu, mas a lutar contra as consequências do abuso e – caso ele ainda esteja acontecendo – evitar que aconteça novamente. O Projeto Raabe é a força que faltava para lhe ajudar a se reerguer e lutar contra esse mal. É a amiga que você esperava para lhe ouvir, lhe orientar pelo melhor caminho para buscar seus direitos e reconstruir seu coração.

Há uma saída, há uma esperança! Muitas mulheres já tiveram suas vidas transformadas, e você também pode ser uma delas, basta dar o primeiro passo e unir-se a nós. Muitas mulheres fizeram isso pela primeira vez no sábado, e várias outras que já estavam sendo ajudadas vieram não apenas para prestigiar um evento, mas para receber mais do que temos oferecido nesses doze meses. Outras pessoas vieram doar seu tempo, seus ouvidos, seu trabalho, seu conhecimento e seu amor.

Para ajudar nessa conscientização, a II Caminhada Rompendo o Silêncio contou com importantes palestras de autoridades ligadas ao tema da violência doméstica, que têm apoiado a iniciativa do Projeto Raabe na luta por essa causa. Em Belém do Pará, Alessandra Jorge, Delegada de Atendimento à Mulher, falou sobre os inúmeros casos de mulheres que sofrem violência familiar e a necessidade de informá-las a respeito de seus direitos e dar-lhes o apoio necessário para ir até o fim.

Em Rio Branco, no Acre, Glicélia Viana, esposa do prefeito eleito Marcos Alexandre, fez questão de comparecer ao evento, que também contou com a palestra da delegada Lúcia Jaccoud, que destacou a importância da ação social do Projeto Raabe. Em Salvador, na Bahia, a palestrante foi a delegada Isabel Alice, que trabalhou como titular da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) por 12 anos, até 2008, e conhece muito bem a realidade desse tema.

Em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, tivemos a presença da Dra. Fernanda Felix Carvalho Mendes, delegada  da Delegacia Especializada de Atendimento a Mulher, de Tai Loshi, Coordenadora Especial de políticas públicas para a mulher, e Ariza Catarina de Albuquerque, coordenadora do Centro de Atendimento a Mulher – CEAM.

 Após o evento, profissionais e voluntárias oferecerem atendimento gratuito a mulheres como B.L., que resolveu pedir ajuda após ver propagandas do Projeto Raabe em Campo Grande. No dia anterior, ela registrou um boletim de ocorrência contra o marido, que a agredira. B. mostrou as marcas em seu corpo. A crueldade foi tanta que o marido teve preferência por agredi-la em locais de cicatrizes de cirurgia. Estimulada pelo evento, B. resolveu buscar apoio no Projeto Raabe e agora sabe que não está mais sozinha.

Nosso salário é ver mulheres como B. transformarem o presente de agressões, violência, ameaças, mágoas e tristezas em passado, e superarem esse passado, transformando em experiência para ajudar novas Raabes que buscam no Projeto a ajuda que faltava.

Vanessa Lampert

Clique aqui para ver as fotos do evento em Mato Grosso do Sul, Acre, Bahia, Pará e Paraná.

Fotos da Caminhada – Acre, Bahia, Pará, Mato Grosso do Sul e Paraná

Veja as fotos do evento nos estados de Mato Grosso do Sul, Acre, Pará e Bahia!

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Raabe e você/ Capítulo 17

E agora vamos entrar de cabeça nas reações emocionais – são tantas!

De nada adianta continuar se não falar de um ponto central que atinge a todas as mulheres – e não falo só das que foram abusadas, não.

 Tem um “palavrão” que deveríamos corar ao pronunciar: “baixa autoestima”, mas essas palavrinhas têm sido tão repetidas que parecem doces como mel na boca de muitas mulheres. Existe uma corrente, uma moda (que parece que veio para ficar) ultimamente, que coloca na “baixa autoestima” a culpa de tudo. Aquilo que não se consegue justificar ou explicar vira fruto de baixa autoestima, já notou?

 Mulheres que se convencem facilmente que têm sua autoestima baixa, não se sentem capazes de fazer nada, não se sentem confiantes em sua aparência, não conquistam no mercado de trabalho, não se realizam na vida amorosa, têm as piores amizades, se sentem o lixo da sociedade e terminam em consultórios de psicólogos e escravas de terapias emocionais, tentando escapar da depressão.

 O antídoto para essa doença que se tornou crônico foi deixado já no primeiro capitulo da Bíblia, mas ainda assim, poucas foram as que acharam a cura desse mal através da Palavra de Deus. Quer ver? Leia em Gênesis 1:26 – fomos criadas à imagem e semelhança de Deus e a nós foi dado domínio – péra lá, fomos criadas à imagem da perfeição e não para sermos criaturas dominadas por complexos e sentimentos.

Nem sempre entendermos a grandeza disso:  se fomos criadas à imagem de Deus, não fomos criadas fracas, feias, incapazes, inadequadas – como nos sentimos. Pois Deus não é assim! Se vivermos de acordo com o que Deus projetou (e isso é fé inteligente) então não existe baixa autoestima, mas se vivermos de acordo com aquilo que sentimos, então vamos continuar nos afundando.

Você tem coragem de olhar para o céu e proferir palavras do tipo: Deus, o Senhor não tem valor, o Senhor não sabe se expressar, o Senhor não sabe se comportar, o Senhor é assim ou assado?

Não! Isso é anátema! Mas porque você tem coragem de falar tudo isso e muito mais para si própria – criação Dele à Sua imagem e Semelhança?

 Esta semana, cada vez que quiser falar algo negativo acerca de si própria, tente falar o mesmo para Deus – se você tiver coragem, vá em frente.

Raabe.