Vidas Rompendo o Silêncio


                                                                                                              Vida Real       

 

Minha infância marcou minha vida!

Antes de eu nascer a minha mãe já sofria violência doméstica pelo meu pai.

Aos três anos de idade, comecei a perceber essas agressões, discussões e etc., mas, aos cinco anos, fui vítima de tentativa de homicídio: meu pai tentou me jogar da janela do apartamento somente para aterrorizar a minha mãe em uma de suas brigas.

Assim, eu e meu irmão (mas novo três anos que eu) crescemos presenciando agressões físicas e morais contra a minha mãe.

Nós já tínhamos pavor quando a campainha tocava e sabíamos que era o meu pai chegando a casa, pois era viciado e sempre que chegava tudo acabava em briga.

Numa ocasião, ele desligou a luz geral do apartamento, onde morávamos em Salvador, e pegou um facão para nos matar causando assim, muito terror entre nós, mas graças a Deus nos livramos da morte.

Aos dezessete anos, vivia assustada, não dormia à noite com medo de ele matar a minha mãe, sentia muita raiva do meu pai e da minha avó paterna. Era insegura e completamente decepcionada com casamento.

No dia 12 de Dezembro de 1987, eu que já ouvira falar há uns dois anos atrás de um Deus maravilhoso, pedi a uma irmã colega, que me levasse a um templo, implorei, pois já não aguentava mais o sofrimento.

Graças a Deus eu tive o alívio no primeiro dia, lembro-me de que era uma quinta-feira e nesse culto falava-se, justamente, sobre a família. Foi o resgate que encontrei para arrancar todo o meu trauma e poder passar essa experiência que hoje já não vivo mais.

Sou casada e tenho uma linda família.

****

Eu Estava cansada e perdida…

 “ Chega não aguento mais!!!”, assim me encontrava.

Eu fui rejeitada já no meu nascimento. Com mais ou menos sete anos, fui violentada. Meus irmãos foram testemunhas, presenciaram tudo…A partir daquele momento não tive paz e meus olhos se abriram, acabando com a minha infância e pureza. Perturbações me acompanhavam, era assediada ainda mais por pedófilos, tanto que no dia do estrupo eu não me esquecia das palavras dele “você é minha”

Então, como entender que uma criança atraia tanta maldade! A criança não tem seios, o seu corpo não é formado, mas os adultos queriam tocar.

Na minha cabeça, eu era a culpada de tudo. E eu não procurava ajuda, só sentia medo…As perturbações me acompanhavam no decorrer da idade, via vultos, ouvia vozes, pesadelos, na escola fazia as necessidades na roupa para não ir ao banheiro sozinha, e os pensamentos de morte me rodeavam, como se morrendo eu encontrasse a paz.

Aos 14 anos acabei caindo no conto do vigário, “você é a mulher da minha vida, te amo” me encantei, e o inferno aumentou. Uma relação rodeada de brigas e ciúmes, por estar cega de paixão me sujeitava a tudo, e no momento do fim da relação, fiquei sem chão.

Quando pensei que estivesse dado a volta por cima, por ter encontrado alguém, tudo acaba. O filme do início da minha vida passou na minha mente, já não tinha mais sentido viver…Os pensamentos eram que “sou um problema, a causa de tanta dor para todo mundo, se eu morresse encontraria a paz e também iria trazer tranquilidade a todos por não existir mais”. Foi quando tentei me matar.

Conheci a existência de Deus quando estava dopada de veneno, ouvia o desespero da família, perdida sem saber o que fazer, pois não sabia que eu tinha tomado veneno.

Na mente, falei com Deus: “Se o SENHOR existe não me deixe morrer”. Ele me atendeu.

Os livramentos, os problemas, me fizeram conhecer a fé, mas minha entrega, em fazer a vontade Dele, mudou a minha história. Hoje com 31 anos sou realizada, completa e com paz tão desejada.

Amo e sou amada, casada há onze anos, ou melhor, onze anos de namoro, pois o amor cresce a cada dia…

Quando temos esta experiência de conhecer o significado da Paz e do Amor, não medimos esforços para também passar adiante o que recebemos levando a cada um a esperança de um recomeço.

                                                     ****                                                                    

 Tinha Raiva Dos Homens

Quando eu tinha seis meses de nascida, meus pais se separaram e meu pai desapareceu de nossas vidas.

Minha mãe precisava trabalhar, foi morar em outro local que ficava mais perto do trabalho e me deixou com uma tia que era casada.

Minha mãe vinha todos os finais de semana e, aparentemente, tudo estava bem, porem minha tia era uma mulher descontrolada e me batia por qualquer motivo.

Quando eu estava com seis anos, o marido dela passou a me molestar sexualmente e, quando ela descobriu, colocou a culpa toda em mim, mas nunca comentou com minha mãe.

Os dias se passaram, porém ela estava cada vez mais descontrolada e, quando eu estava com nove anos, me entregou para minha mãe que morava na casa de uma família e eu fui morar com eles. Lá também sofri abuso sexual por parte do dono da casa. Passei minha infância carregando a dor e um sentimento de culpa enorme.

Quando entrei na fase da adolescência e passei a entender que a culpa não era minha, fui tomada por dois sentimentos: o de vergonha e o de revolta, o sentimento de vergonha assim como o de culpa me fazia calar, nunca comentava o assunto com ninguém, esse era meu grande segredo; o sentimento de revolta me fez ficar com ódio da minha mãe e projetei nela toda minha raiva por conta dessa situação de não ter tido pai e por todo o mal que eu sofri.

Como cresci sem ter nenhuma referência masculina como pai, irmão ou até mesmo de avós o que eu conhecia de homens que passaram pela minha vida era de pedófilos e não de protetores, como de costume.

Passei a ter raiva dos homens, então eu não me envolvia emocionalmente, achava que podia usar e descartá-los como lixo, pobre ignorância a minha, pois ao invés de usá-los, quem acabou sendo usada fui eu, saia com um e com outro, não estava preocupada nem comigo mesma.

Um dia recebi um convite para ir a um lugar que mudaria toda esta triste história, Conheci alguém que era protetor, amigo, companheiro, e mais que tudo isso, que era Pai. Como eu almejava ter um pai, esse era meu maior sonho!

Conhecer a Deus foi maravilhoso, mas conhece-lo como Pai isso realmente fez a diferença. Nunca mais me senti sozinha, aprendi, através do poder restaurador de Deus, que as feridas da minha alma poderiam ser tratadas e, realmente foram.

Pude me libertar de todos os sentimentos (culpa, vergonha, ódio e tristeza profunda) que me escravizavam e me impediam de ser feliz.

Aprendi a perdoar por completo, pois o ódio, a mágoa e a falta de perdão são como veneno que agem dentro de nós enquanto esperamos que aquele que nos fez mal morra, mas somos nós que morremos lentamente.

Descobri um mundo cheio de cores, hoje eu e minha mãe somos super amigas e companheiras. Não odeio mais os homens, sou livre e agraciada por tantas bênçãos que tenho recebido nestes dezoito anos, desde que encontrei a Deus, que é o meu amado Pai.

****

 Ponto Final

O que vou descrever a seguir para minha vida foi extremamente difícil; sempre pedi a DEUS que colocasse em meu caminho pessoas de FÉ, amigas, companheiras e que não agissem como Juiz, julgando a minha causa e até me sentenciando.

Abrindo meu e-mail (23.11.11), vi um lindo e-mail e uma postagem falando do PROJETO RAABE, que a querida Cal me enviou. Na hora, fui tocada que o momento de ROMPER O SILÊNCIO era chegado.

Conheci o pai de meus filhos, aos vinte anos, havia perdido minha mãe recentemente e logo após meu pai. Também, na época eu trabalhava no Tribunal de Justiça como escrevente concursada e estava fazendo Faculdade de Letras, já era cristã e era secretária geral dos jovens na igreja que eu frequentava.

Os jovens eram muito animados e vivíamos em confraternizações (Rio e SP, além de outros estados), foi em meio a estas confraternizações que conheci o pai dos meus filhos e por falta de ACONSELHAMENTO por parte de líderes, esposas, cai no engodo do inimigo e me apaixonei.

Fomos viver juntos, exatamente um ano após, o que parecia ser doce virou puro fel. Começaram as agressões com palavras, a falta de respeito em todos os sentidos e agressão física. Engravidei por duas vezes e tive abortos espontâneos (hoje compreendo o porquê e agradeço a DEUS por não ter vingado aquelas gravidezes, pois só Deus sabe que consequências trariam).

Esperei uns anos e fiz um tratamento e engravidei; veio uma linda menina, perfeita, saudável e dois anos depois tive outra gravidez e veio um filho homem; também perfeito e saudável (durante a gravidez tive várias ameaças de aborto, tendo que ficar em repouso absoluto). Eu pensava que com o nascimento da 1ª filha, ele mudaria suas atitudes, mas não foi o que aconteceu.

O mesmo tornou-se ainda mais agressivo e comecei a notar que ele repudiava certas atitudes da minha filha, pois o sonho dele era ter um herdeiro primeiro.

Como mãe, eu procurava sempre estar atenta e até de alguma forma, fazê-lo mudar e por isto eu usava a minha FÉ, nas orações, nos propósito, mas… eu me esqueci de que ele tinha que querer libertação, uma vez que já conhecia a DEUS (de ouvir falar e não de com ele andar), fazia parte integrante de uma denominação; precisava buscar e querer ser liberto!!!

O seu proceder como homem, marido e como servo de DEUS, que dizia ser, não era digno. Ele era um profissional da música e agia como um homem totalmente ímpio, infiel a DEUS, a mim e aos seus filhos. Ele paquerava, na minha frente, ele elogiava com 2ª intenções mulheres (solteiras, casadas, jovens, adolescentes) e como se não bastasse empregadas dentro de minha casa eram assediadas (cheguei a pegá-lo dentro de minha casa com uma adolescente aos beijos e abraços).

Toda a sua atitude deplorável me fazia ter ciúmes e eu o cobrava e mesmo não o cobrando, eu não podia ficar chateada, tudo era motivo para ser agredida; primeiro com palavras, com desprezo, agressões físicas de chegar a me deslocar o pescoço, causar luxação na minha perna e ter que engessar; por muitas vezes, me senti estuprada, pois era obrigada a ceder aos seus desejos doentios (me usava como uma prostituta com todo tipo de sexo), muitas vezes, eu doente, era obrigada aos seus caprichos.

Quando minha filha tinha apenas um ano de idade, uma das babás precisou faltar e como ele era muito prestativo com a casa, alimentação, cuidadoso com os filhos e não me faltava nada, ele se prontificou a cuidar de minha filha e eu inocente deixei.

Quando retornei do meu trabalho, ele mesmo me contou que quase a matou sufocada com um travesseiro porque ela chorava muito e ele não conseguia fazê-la parar. Com este acontecimento, fiquei alerta e fui observando que suas atitudes não eram normais.

Em outra oportunidade, ele quis trocar as crianças logo após o banho (minha filha estava com apenas quatro anos de idade), ouvi um grito abafado dela e corri para ver o que tinha acontecido, mas tudo parecia bem!

Comecei a conversar muito com ele, ter muito diálogo, pois afinal eu o amava, queria o seu bem, esperava sua total mudança, mas…. Quando eu entrava com a verdade, ele se defendia com agressões que continuavam cada vez mais fortes.

Passei a não deixar meus filhos com ele, não existia confiança. Minha filha foi se soltando aos poucos e disse-me que o pai fazia gestos para ela, fazia promessas em troca de dinheiro, queria lhe ensinar muitas coisas, para que quando ela crescesse não sofresse nas mãos de homem nenhum e que tudo ela precisava saber.

Eu fui ficando cada vez mais atenta, cercando os meus filhos com toda proteção (babás, empregadas, saí do Tribunal com licença sem vencimento). Ele era tão agressivo que quando pegava os meus filhos para corrigir, batia com cinto e deixava a fivela marcar a pele deles, com marcas profundas.

Tivemos uma convivência de 15 anos, mas um dia eu tomei ATITUDE, já estava exausta e o amor que era 100%, já estava em 20%, lhe dei um ULTIMATO e disse: se houvesse mais uma agressão, eu me separaria (sofri muitas ameaças de morte juntamente com meus filhos).

Devido à RELIGIOSIDADE que eu tinha, esperava muito em DEUS, sem usar a FÉ, com ATITUDE. Já estava muito cansada, judiada, explorada, ele era um analfabeto e eu o alfabetizei, com todo estudo que obtive e conhecimentos, adquirimos empresas, bens, propriedades, uma estabilidade financeira ótima.

Na semana em que completamos 15 anos de convivência, por causa de algo simples, ele que havia trabalhado a noite toda e usado drogas (escondido, mas eu descobri), levantou uma discussão e veio me agredir e sua intenção era matar-me, mas um dia antes, orando, DEUS me orientou como eu deveria agir e o que iria acontecer.

No auge do seu desequilíbrio, quis mesmo até incendiar o apartamento, explodir botijão de gás, mandei minha filha ligar para a DDM (Delegacia de Proteção à Mulher) e contar que o seu pai estava tentando fazer e dizer também os abusos que ela vinha sofrendo a tanto tempo.

Na mesma hora ele parou, pensou e decidiu: ESTOU INDO EMBORA, arrume tudo o que é meu que venho buscar depois. Esta cena é difícil esquecer: meus filhos com oito e dez anos de idade pegavam as roupas com cabide e tudo, jogavam nas malas, com tanta agilidade que tive que intervir e dizer a eles que TINHA ACABADO.

Eu não voltaria mais atrás (já havia acontecido separação por duas vezes e eu o aceitei de volta), mas antes dele sair pela porta da frente, fiz questão de dizer: ACABOU, a adolescente que você pensa que sou, vais ver a grande mulher que é.

Hoje faz mais ou menos 16 anos em que estou sozinha e não solitária (por opção, por enquanto), decidi dar o melhor aos meus filhos e hoje eles estão firmes e fortes, no CARÁTER E NA FÉ, formados, realizados e eu me cuidando para o NOVO que DEUS TEM PRA MIM.

Hoje me sinto preparada para amar novamente, esperar aquele que DEUS tem pra mim. Eu e minha casa estamos MUITO, MUITO, MUITO FELIZES.

*****

Fui Me Tornando Um Monstrinho

Por várias vezes, perguntava a Deus se existiam pessoas que vieram ao mundo só pra sofrer, porque desde criança minha vida foi cercada por muitos sofrimentos.

Nos principais noticiários hoje em dia, são notórias as barbaridades que estão acontecendo com o ser humano. Fui uma vitima dos mesmos acontecimentos que hoje vejo na TV.

Fui vitima de abuso sexual dos três aos nove anos, por uma pessoa de 80 anos.

Eu não cheguei a perder minha virgindade, pois essa pessoa já era impotente, mas só de pensar que ele encostava seu genital, eu tinha nojo do meu corpinho. Morávamos em um sítio e nunca tinha visto uma revista pornográfica e nem imaginava que isto acontecia entre duas pessoas.

Eu cresci um monstrinho, muito revoltada, nervosa e ninguém sabia o porquê. Meu pai não sabia que eu era molestada.

Esse senhor era sogro da irmã de minha mãe, e avô de um dos meus irmãos, para mim era como se fosse também meu avô. Quando eu estava com ele sentia repugnância do que ele fazia comigo, mas quando eu estava só, começava a ter desejo por sexo. Isso com cinco anos de idade.

Aos oito anos nos mudamos de cidade, também no triângulo mineiro e até os nove anos ele continuava com suas práticas, isso já em sua casa.

Um dia minha avó levou-me para morar com ela antes que eu fosse violentada por algumas pessoas que frequentavam a casa da minha mãe, mas mal sabia ela que eu já estava sofrendo por esse abuso.

Quando eu fiz treze anos, a minha avó foi morar com uma das filhas. Eu sofria agressão física dessa tia e me usavam como doméstica na casa.

Ouvindo um programa de rádio da cidade de Brasília, soube que procuravam uma menina para trabalhar em casa de família como babá.  Candidatei-me e fui. Só fiquei dois meses, eu era magérrima e não agüentava o peso da criança.  Pedi que me levassem de volta para Minas. Antes desse emprego eu trabalhava na lavoura com meu pai colhendo café.

Quando retornei, minha avó não tinha mais casa e fui morar com minha mãe. Ela estava recém amigada, eu e meu padrasto não nos dávamos bem, ao ponto de um querer matar o outro. Entre ele e mim, ela optou em ficar com ele. Novamente eu estava sem destino.

Aos 14 anos o irmão de minha mãe foi passear em Minas e me convidou para passear na casa dele,em São Paulo. Não pensei duas vezes e, dentro de mim, eu dizia: nunca mais eu volto. Meu tio era alcoólatra, colocava sua esposa para fazer programas nas ruas para ganhar dinheiro para ele.

Passou pela cabeça dele que eu era uma menina bonita e ia ganhar muito dinheiro na prostituição, ele me orientava a arrumar velhos cheios da grana para que quando eles morressem, eu ficasse rica. Mal sabia ele o trauma que eu tinha de homens, principalmente velhos.

Aos 15 anos ele começou a pensar que eu era lésbica, ele tinha sexo com minha tia diante de mim, até no carro, quando estávamos viajando. Não conseguia despertar em mim desejos por sexo. Eu não namorava e os planos dele eram frustrados.

Meu irmão mais velho também morava com ele. Um dia este irmão foi de viagem a Minas para alistamento no exército, meu tio se aproveitou desse momento e mandou minha tia ter relações comigo, pensando que eu gostava de mulher.

Foi horrível quando ela se deitou comigo e começou a me beijar e passar as mãos sobre o meu corpo. Eu fiquei furiosa e me desprezei, e saí da cama chorando. E por não ter deixado com que ela fizesse nada comigo, ele começou a espancá-la.

Ele lutava capoeira, imagina o que eu escutei os gritos da minha tia e eu não podia fazer nada. Por mais duas vezes ele tentou e acabei fugindo.

Na terceira vez ele, pessoalmente, veio ter relações comigo. Eu morava no quarto andar, fiquei de costas para a janela e, se ele insistisse, eu prontamente ia me jogar.

No bairro, ele tinha um amigo que tentou impedir, e ele acabou batendo nesse tal amigo. Minha tia entrou no quarto chorando, implorando para ele não fazer nada comigo, porque nos éramos sangue do mesmo sangue, e que ele só ia tocar em mim depois que ele a matasse.

Ele insistiu muito para que ela saísse do quarto, quando viu que ela não desistia, ele deu um golpe de capoeira de um lado da cabeça e logo um ouvido começou a sangrar, outro golpe na altura do estômago e ela começou a por sangue pela boca. Ele a arrastou para o quatro e foi uma madrugada de violência.

Aparentemente tudo parecia calmo, pois eles ficaram fechados no quarto, eu aproveitei para fugir. Fui pedir ajuda em uma pensão de uma amiga do meu tio, eu trabalhava próximo dessa casaem Vila Mariana.

Meu irmão retornou de sua viagem e quis saber por que eu saí da casa do tio. Pressionada, eu disse o que tinha acontecido. Meu irmão queria matá-lo. Meu tio retornou para Minas, à casa da minha avó materna e contou a versão dele que eu o tinha assediado, passei a ser o demônio da família.

Até a avozinha com quem eu morei, passou a ficar contra mim, acreditando na versão dele.

Minha mãe e uma das irmãs de meu tio conheciam um pouco da lei de Deus, frequentavam o cenáculo há 30 anos. Elas disseram: Deus é juiz e advogado, um dia todos saberão se você está falando a verdade ou não.

Saí de Minas envergonhada, humilhada, em crise de choro. Os vizinhos me ampararam e me deixaram na rodoviária para voltar a São Paulo.  Não tinham um centavo. Sem dinheiro e sem destino, veio ao meu encontro um velho falando palavrões e querendo fazer sexo oral comigo,  ia me dar dinheiro. Saí dali e fui a pé até à casa de um tio, contei para ele toda a verdade, foi quando ele acreditou e me deu a passagem de volta.

Dois meses depois, a dona da pensão foi para Mato Grosso e meu tio ficou cuidando da pensão, eu fugi a pé, fui à casa de outro tio, e dez meses depois precisei fugir novamente.

Fui morar com uma idosa de 83 anos que era cartomante. Quando os filhos descobriram minha idade, tive que arrumar outro lugar, pois os filhos não aceitaram. A cena se repetiu se mais uma vez e fui a um pensionato. Tinha umas 45 moças, a maioria garota de programa, só eu ainda era uma menina de família, atribulada, mas não tinha vícios.

Devido aos maus tratos, à falta de higiene no sítio, fiquei com um problema ginecológico muito grave, fiz tratamento por 10 meses e por não ter tido sucesso, fui submetida a uma curetagem, aí perdi minha virgindade.

O médico, que me assistia, me dava todas as medicações. Era um oriental muito bonito e acabamos nos envolvendo sentimentalmente, por excesso de carência. Tornei-me amante por seis anos.

Desde os 15 anos tomava calmante. Depois que conheci o oriental, passei a fumar maconha e a cheirar cocaína.

A droga dominava a mente, os pensamentos eram de tormentos, e foi quando abandonei as drogas e me aprofundei nos calmantes para suprir a ansiedade por falta delas.

Ele montou um apartamento de boneca, me fez voltar a estudar e comecei a trabalhar no banco oriental Mitsubishi. Envolveu-se com agiotas para manter-me e também a família, precisou mudar-se de São Paulo. Continuei trabalhando e buscando meios para mudar de vida e ajudar a manter meus irmãos que já moravam comigo. O japonês já tinha ido embora há seis meses.

Conheci outro rapaz e meses depois engravidei. Ele não queria nada com nada, tinha um casinho em cada canto. Os últimos seis meses de gravidez, eu ficava mais no hospital que em casa, para não perder o bebê que era uma menina.

André estava cada dia pior, era um super pai, mas não queria nada com a realidade de um casamento. Eu estava totalmente envolvida, pois o amava. Ele queria a mesma vida de solteiro: noitadas, mulheradas e muita bebedeira.

Eu, cada dia mais depressiva, amava e não era amada, me apegava à filha para sobreviver, o ciúme me dominava, era um poço de perturbação.

Tinha desejo de suicídio e fazia tentativas para matá-lo. Três anos de sofrimento conjugal e foi quando ele adoeceu, recebi um convite da minha ex-cartomante para fazer uma visita ao Cenáculo do Espírito Santo.

Estava magérrima e desorientada, e quando vi meu marido vomitando e com tamanha cólica renal, foi quando localizei um programa na rádio São Paulo, e a partir daí comecei a escutá-lo..

Sem saber o que fazer para ajudar meu marido, pedi a Deus que o curasse e que, assim, eu iria a uma Igreja. Eu odiava crente, evangélicos e o milagre foi tão grande que hoje participo há 22 anos. Deus mudou toda a minha vida, libertou-me, curou-me, restaurou meu casamento. Sou uma mulher completa e sem nenhum trauma do passado. Tudo se fez novo.

2 Respostas para “Vidas Rompendo o Silêncio

  1. EU TUDO POSSO NAQUELE QUE ME FORTALESCE.Histórias de vida muito forte, tenho certeza que aquele que der ouvido atentamente á voz de DEUS e com fé e confiança se aproximar dele, terá RESPOSTA.Deus não nega nenhum bem aos seus.Que este projeto seja um divisor de águas em muitas vidas.
    Na fé.
    Raabe

  2. Sou assistente social e gostaria muito de ser uma colaboradora desse projeto de tanta importância para valorização da mulher e a necessidade de que tomem posição e não se deixem seus direitos serem violados.Obrigada.

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