A Marca

timthumb.php_

A partir da semana que vem vamos pisar em terreno minado: vida sentimental pós abuso.. . mas antes disso, temos que fazer uma preparação.

Essa preparação é entender que existe uma marca que tem de ser removida de cada uma de nós que viveu qualquer tipo de abuso. Não se engane, não: essa marca não foi colocada em você pela sociedade .

Sem perceber, cada uma de nós coloca em si própria essa marca – bem no meio da testa. Sabe como? Através da maneira que nos apresentamos às pessoas. Ainda que essa pessoa não tenha a menor ideia que um dia sofremos algum tipo de abuso, nos apresentamos de forma insegura, nos inferiorizando e automaticamente aquela pessoa “pressente” que deve haver algo errado com a gente.

Quando olhamos as pessoas à nossa volta, achamos, em nosso subconsciente, que todos sabem o que nos aconteceu e que estão nos julgando ou sentindo pena. A pior coisa para mim é a pena; é como se estivesse me colocando na posição de vitima novamente: frágil e incapaz, escrava dos meus sentimentos.

Mas tive que entender que eu mesma causava essa reação através de minhas atitudes, de minha dependência da opinião alheia, da minha falta de iniciativa, por sempre aceitar ficar com a pior parte do trabalho e achar que não tinha direito a nada melhor do que estavam me oferecendo (vamos falar muito sobre isso em breve).

Uma das coisas mais importantes que você pode fazer por si própria é remover essa marca que você se colocou. As pessoas não sabem o que lhe aconteceu, as pessoas não precisam necessariamente saber e seja lá o tipo de abuso que sofreu, não foi você que pediu por ele.

Portanto, por que viver se condenando por algo que não fez? Por que estampar na sua face essa tristeza, por que se apresentar às pessoas sem convicção da pessoa maravilhosa que você é, por que se rebaixar  tanto se você é filha do Rei?

“Graças te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste” (Salmos 139:14) – sabia que você não é mais uma no meio da multidão?

A primeira coisa que você vai fazer agora é passar a mão na sua testa e, simbolicamente, remover essa marca. Só você pode contar sua historia aos outros, ainda que não usando palavras.

Vamos ao campo minado a partir da semana que vem.

Laços De Família

iStock_000021681159Medium-200x300

O princípio é o mesmo – se você não se valoriza, ninguém mais a valoriza. E isso incluindo familiares. Não é porque existe um laço de sangue que as pessoas vão se compadecer mais (ou menos) das outras. Se você se mostra frágil e dependente, a reação imediata é lhe classificar como tal.

E na hora das decisões, planos familiares, disputas de interesses, a sua voz não é ouvida, a sua opinião não é considerada, os seus interesses não são contados. Aqueles que a princípio deviam ser os que lhe protegeriam, às vezes parecem ser os que mais lhe ferem. Assim foi comigo.

Quando descobrem o que lhe aconteceu, se o seu ofensor é parte dessa mesma família, os mesmos laços de sangue a convencem a viver como se nada tivesse acontecido. A fim de não dividir a família, lhe aconselham a esquecer o ocorrido e continuar com a sua vida como se não houvesse passado, como se você não tivesse sido ultrajada. Você passa a viver como culpada e o seu ofensor, como inocente. Manter as aparências pelo bem da família é a ordem do dia.

Se você sofreu violência domestica, o conselho é não falar do assunto, pela felicidade de seus filhos. Mas seja sincera, qual criança pode crescer feliz, emocionalmente estável, se vem de um lar onde a violência predomina? Essa criança em breve passará a não lhe respeitar e grandes são as possibilidades de se tornar violenta no futuro.

A Bíblia nos deixa uma historia real, dura de ser lida, especialmente quando carregamos em nós as mesmas marcas daquela menina chamada Tamar. Única filha do Rei Davi, foi vítima de seu meio irmão, Amnon, que abusou dela, roubando-lhe não somente a pureza, mas a dignidade e o futuro. Após o ato consumado, diz a Bíblia que Amnon a odiou com todas as forças. Lembre-se de que a violência sexual não se trata de uma satisfação ao prazer, mas sim de ratificar domínio e autoridade àquele que não tem nenhuma autoconfiança.

E qual foi a reação de Absalão, seu irmão de sangue? Ele disse “Ora, pois, minha irmã, cala-te; é teu irmão.” E o verso termina dizendo que Tamar viveu uma vida solitária em casa de seu irmão ate o fim de seus dias. (2 Samuel 13:20)

Hoje a mulher tem um papel expressivo na sociedade e a nenhuma de nós o isolamento é imposto, mas será que você não tem condenado a si própria dessa forma?

Jamais se esqueça disso: Se você não se valorizar, ninguém o fará. Nem o seu ente mais querido.

Raabe

Baixa autoestima e os amigos

AMIGS

Queria muito ter sido uma mosquinha para ver você semana passada tentando rebaixar Deus através dos seus pensamentos negativos sobre si própria.

Hoje vou começar a delinear as consequências desse comportamento em relação a amizades.

Quando você se vê pequena, incapaz e insegura, passa para aqueles que estão à sua volta essa mesma imagem a seu respeito.

Logo, para eles você se torna presa fácil, e como todos sempre querem estar perto daqueles que têm personalidade – os fortes e confiantes, e você não é assim, ser sua amiga passa a ser um ato de caridade.

É como se as pessoas lhe fizessem um favor e você fosse o elo mais fraco desse relacionamento.

A lei da sociedade consumista é uma só: o mais fraco serve ao mais forte! Está chocada? Mas é assim que você vive: servindo aos outros, ficando com a pior parte das tarefas só para “agradar às multidões”.

Quantas vezes você  foi a lugares que não queria ter ido, comprou roupas das quais não gosta, mentiu ou fez coisas que você não aprova só para contentar a um ou outro e “manter a amizade”?

Quantas vezes você não disse para si própria “mas se eu contrariar, vou sair perdendo, porque ela é minha única amiga”? Se você precisa se anular, perder a sua identidade para manter uma amiga, pois se você não ceder não existe amizade, será que vale a pena?

 Em decorrência de sua baixa autoestima, você se submete, se anula, se contraria, acha que as pessoas estão fazendo um favor em recebê-la, em convidá-la para um evento, pois não vê em si própria o valor que tem.

 Você se inspira em outras mulheres, que acha que são fortes, mas nunca parou para observar que por dentro elas também não se acham tão fortes assim e comentam sobre seus complexos.

 Quer dizer, você projeta uma imagem positiva acerca de alguém que é tão falha quanto você, mas não consegue projetar uma imagem positiva acerca de si mesma?

 Enquanto não mudar a forma que se vê, todos sempre serão melhores do que você. O que aconteceu com a criação perfeita à imagem de Deus?

Semana que vem vamos falar de família.

Raabe e você/ Capítulo 17

E agora vamos entrar de cabeça nas reações emocionais – são tantas!

De nada adianta continuar se não falar de um ponto central que atinge a todas as mulheres – e não falo só das que foram abusadas, não.

 Tem um “palavrão” que deveríamos corar ao pronunciar: “baixa autoestima”, mas essas palavrinhas têm sido tão repetidas que parecem doces como mel na boca de muitas mulheres. Existe uma corrente, uma moda (que parece que veio para ficar) ultimamente, que coloca na “baixa autoestima” a culpa de tudo. Aquilo que não se consegue justificar ou explicar vira fruto de baixa autoestima, já notou?

 Mulheres que se convencem facilmente que têm sua autoestima baixa, não se sentem capazes de fazer nada, não se sentem confiantes em sua aparência, não conquistam no mercado de trabalho, não se realizam na vida amorosa, têm as piores amizades, se sentem o lixo da sociedade e terminam em consultórios de psicólogos e escravas de terapias emocionais, tentando escapar da depressão.

 O antídoto para essa doença que se tornou crônico foi deixado já no primeiro capitulo da Bíblia, mas ainda assim, poucas foram as que acharam a cura desse mal através da Palavra de Deus. Quer ver? Leia em Gênesis 1:26 – fomos criadas à imagem e semelhança de Deus e a nós foi dado domínio – péra lá, fomos criadas à imagem da perfeição e não para sermos criaturas dominadas por complexos e sentimentos.

Nem sempre entendermos a grandeza disso:  se fomos criadas à imagem de Deus, não fomos criadas fracas, feias, incapazes, inadequadas – como nos sentimos. Pois Deus não é assim! Se vivermos de acordo com o que Deus projetou (e isso é fé inteligente) então não existe baixa autoestima, mas se vivermos de acordo com aquilo que sentimos, então vamos continuar nos afundando.

Você tem coragem de olhar para o céu e proferir palavras do tipo: Deus, o Senhor não tem valor, o Senhor não sabe se expressar, o Senhor não sabe se comportar, o Senhor é assim ou assado?

Não! Isso é anátema! Mas porque você tem coragem de falar tudo isso e muito mais para si própria – criação Dele à Sua imagem e Semelhança?

 Esta semana, cada vez que quiser falar algo negativo acerca de si própria, tente falar o mesmo para Deus – se você tiver coragem, vá em frente.

Raabe.

Rompendo o Silêncio

Essa é a nossa segunda marcha marcando o evento Rompendo o Silêncio.

Desde a primeira, que deu início ao Projeto Raabe, temos recebido inúmeros pedidos de aconselhamento. Compreendo o quão difícil é para qualquer pessoa falar sobre o assunto, uma vez que ainda sofre das consequências emocionais do abuso, e também é difícil confiar em alguém para contar algo tão pessoal.

Mas se você não está preparada a confrontar os fantasmas do passado, não conseguirá superá-los. As imagens traumáticas sempre estarão escondidas em seus pensamentos, trazendo insegurança, complexos e medo, e a levarão a tomar decisões erradas.

Talvez você pense que nunca vai encontrar alguém para se casar e ter a sua própria família, então aceita entrar num relacionamento em que seu parceiro a diminua e não respeite. Ou quem sabe você pense que sua dignidade lhe foi roubada e a melhor solução é assumir uma vida de promiscuidade, prostituição ou tornar-se abusiva a outros.

Esse círculo vicioso continua em nossa sociedade e muitas perdem o sentido de viver, dando cabo da vida por não encontrar uma saída.

Pense no exemplo da criança que caiu e machucou o seu joelho. Sua primeira atitude é passar a mão no ferimento e ir em frente. Mas a mãe, ao ver a ferida, logo passa um antisséptico forte para limpar a pele e remover as bactérias, sabendo que nesse processo de assepsia, a ferida vai sangrar e vai doer novamente.

Quando rompe o silêncio, você passa o antisséptico de Deus na sua ferida. Você vai sentir a dor, a vergonha, ódio, nojo, mas vai se tornar forte e superar o que ocorreu. Fechar-se para o mundo ou negar a realidade de que sofreu um abuso não é a solução. A sua dor só vai crescer e apodrecer o seu interior.

Eu sou uma Raabe cuja ferida teve de ser aberta – não é fácil minha amiga, e eu sei – mas hoje estou de pé e pronta a lhe ajudar.

Essa é a oportunidade: o evento Rompendo o Silêncio, onde outras mulheres que passaram pelo mesmo, mas venceram, estarão lá para lhe ouvir e lhe motivar.

Para mais informações, esse evento ocorrerá em muitas capitais do Brasil e no mundo. Na parte superior do site onde diz: Onde está o Projeto Raabe? Você encontra os endereços dos estados e países, entrando em contato na sua cidade saberá o local de cada evento.

Semana que vem continuamos com os nossos artigos.

Raabe e Você/ Capítulo 16

Os Lírios

Hoje vamos a mais uma etapa: muitas mulheres carregam em si as marcas do abuso projetadas nessa reação emocional, com consequências físicas. Você passa a se rejeitar de tal forma que não encontra forças ou propósito para se arrumar e se cuidar fisicamente.

Lembra-se do espelho? Ele definitivamente é o seu inimigo, porque vai refletir a imagem de alguém que você não quer ser: uma mulher desarrumada, com roupas largas, descombinadas, cabelos maltratados, pele ressecada e um semblante caído e sofrido.

Você não mais se valoriza não se aprecia e através de sua aparência tenta mostrar para o mundo que desistiu da vida.

Automaticamente os que estão à sua volta passam a lhe ver da mesma forma: não porque de fato não tenha beleza ou valor, mas porque você mesma tem se desmerecido. Quando está perto de outras mulheres (que muitas vezes nem bonitas são, mas se cuidam), você se sente ainda mais inferior não atinando que isso tem sido uma opção sua.

Não significa que as outras sejam mais bonitas que você, mas sim que você se preocupa muito menos em ser tão bonita quanto elas.

Isso sem falar na falta de cuidados para com a sua saúde: ou se entrega aos prazeres de alimentos calóricos, come desregradamente, acumulando um peso excessivo ou se autodestrói com uma alimentação fraca e se torna anêmica.

Seja qual for a variante, a verdade é uma só: você tem imposto a si própria esse tipo de comportamento e refletindo assim o que está dentro de você: uma entrega passiva ao sofrimento.

Ora, a sua mente está enclausurada e é o momento de confrontar a realidade: você não precisa andar desarrumada, ter uma vida desregrada e mostrar para o mundo que foi abusado e que ainda sofre por isso. Nesse momento você pode retomar as rédeas de sua vida, passar a se amar e se valorizar, investir na sua aparência, cuidar da sua saúde e se recriar para esse mundo.

O seu agressor não merece que você passe uma vida inteira sofrendo dos efeitos colaterais do abuso. Confronte a realidade: você não está feliz assim, você não vive em paz com a sua aparência, você não se sente realizada na sociedade, então por que continuar dessa forma se em você mesmo está o poder para mudar?

O primeiro passo é admitir que a sua aparência atual fosse uma opção sua, mas que agora decide fazer uma nova resolução de vida e se cuidar. O segundo passo é começar essa mudança agora: olhe-se no espelho.

O que falta?

Um corte moderno de cabelo, arrumar as sobrancelhas, uma sombra, um batom, roupas passadas? Mude algo em você neste minuto e continue durante toda esta semana. Lembre-se da beleza das aves e dos lírios “Não tendes vós muito mais valor do que elas?”

Raabe e Você Capítulo/15

REAÇÕES

Por que você se comporta assim?” – alguém lhe pergunta. E você responde – “Assim como?” Sem enxergar sua reação”.

Bem, vamos entender o que diz o dicionário acerca dessa palavra: “resposta a um estímulo exterior, através de um ato ou uma de alteração do comportamento”. Ora, justamente mudanças de comportamento em resposta a qualquer experiência sua do passado. Essas mudanças podem ser físicas ou emocionais.

De repente agora você não consegue identificar nenhuma reação em você, mas quando começarmos a discutir o assunto poderá identificar algo. E o fato é que uma vez tomando consciência da origem dessa reação, o que chamamos de raiz, você pode superar e ter uma qualidade de vida melhor.

Hoje quero falar um pouquinho de reações físicas: medo de escuro, dores de cabeça ao ouvir voz alta, agonia repentina com determinados sons, como telefone, batida de porta. Impressão de que está sendo seguida, aversão a determinado cheiro, náusea com determinadas comidas, essas são as mais comuns e citadas, mas com certeza você pode ter outras e lhe convido até a compartilhar através dos comentários, pois assim mais mulheres poderão se identificar com esse artigo.

O que fazer agora com essa informação?

O primeiro passo é reconhecer que apresenta um desses sinais. O segundo passo é buscar onde tudo começou. E, por fim, o mais importante: entender que não está mais sujeita a esse tipo de abuso, portanto não precisa carregar em seu corpo físico as consequências dele.

Essa é a fé inteligente que quero que você venha a exercer agora: com a renovação de sua mente, não mais se conforme com o que lhe tem sido imposto, mas transforme o que está à sua volta e dentro de você. (ref. Rom 12:2) Quando perceber quaisquer dessas reações, simplesmente rejeite. Semana que vem tem mais.