Construindo novas histórias em Goiás

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A Caminhada em Goiás foi um grande sucesso. Aproximadamente três mil mulheres se juntaram ao Projeto Raabe na passeata pelo dia da não violência contra a mulher. Muitas  foram atendidas pelas profissionais e voluntárias do Projeto, saíram de lá agradecidas e beneficiadas, e continuarão a receber esse acompanhamento.

 No entanto, o caso mais marcante aconteceu uma semana antes do evento. Atendemos C., uma advogada que saiu de casa sem rumo e entrou na igreja. Quando a encontramos, ela estava de óculos escuros, trêmula, e mal conseguia falar. Lhe apresentamos o Projeto Raabe e ela ficou muito feliz em saber que havia esse apoio ali. Chorando, tirou os óculos escuros e nos mostrou os hematomas.

 Nos contou que apanhava há cinco anos de seu marido, que tirou tudo dela. Ela só tem a roupa do corpo, e chegou até nós desesperada, mas só de saber que terá um apoio para recomeçar e vencer os traumas, seus olhos se iluminaram pela esperança. Ficou muito feliz e agarrou a mão que lhe foi estendida.

 É uma sementinha que vamos regar e tenho certeza de que na próxima edição da Caminhada ela poderá ajudar a muitas pessoas com um testemunho de superação, como o que nossa amiga L. deu durante o evento de sábado.

Ela foi violentada pelo pai desde os oito anos de idade e teve um filho desse abuso, na mesma praça que foi o ponto de partida de nossa passeata. A praça que foi testemunha de sua história de agressão, hoje é testemunha de sua história de vitória e da reunião de milhares de mulheres e homens que desejam virar de uma vez essa triste página de nossa História.

Assim como L., nossa nova amiga C. em breve contará seu presente como passado distante, e poderá ajudar tantas pessoas quantas foram ajudadas neste evento. Como em toda caminhada, damos um passo de cada vez, e a cada dia nos aproximamos mais de nosso objetivo.

Suzana Pagnocelli, Projeto Raabe – Goiás

Colaboração: Vanessa Lampert

Clique aqui para ver as fotos da Caminhada em Goiás.

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Caminhada em Alagoas

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Em Alagoas,cerca de 2500 pessoas saíram às ruas na 2ª Caminhada Rompendo o Silêncio. Após a passeata que chamou a atenção de todos que se aproximavam, houve o evento oficial, com diversas atrações, e palestras que trouxeram informações importantíssimas para as convidadas.

A Presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Mulher,Eulina Ferreira Neta,esclareceu que com a mudança na lei Maria da Penha,no dia 09/02/12, o Supremo Tribunal  Federal decidiu que a denúncia de violência pode ser feita por um vizinho, familiar ou qualquer pessoa que conheça o problema (antes dessa decisão, apenas a própria vítima poderia denunciar) e que uma vez a denúncia feita, não poderá ser retirada. Muitas vezes as mulheres se sentiam ameaçadas,ou tinham pena do agressor e retiravam a queixa.

No entanto, é comprovado que quando não recebe punição pela violência praticada, o agressor volta a agir. E geralmente na próxima vez será ainda mais violento, e assim progressivamente. A mulher não deve entender a denúncia como uma vingança, mas como uma forma de evitar que aquilo aconteça novamente. Você pode até ter decidido perdoá-lo, mas é importante para ele, para você, para seus filhos e para toda a sociedade, que ele veja que há consequência de suas atitudes de violência. Aja com a cabeça, e não com o coração.

A Assessora da Mulher da Polícia Civil, Fernanda Ramires, destacou a necessidade do acompanhamento das mulheres vítimas da violência doméstica por órgãos públicos e entidades civis com o objetivo de proporcionar a essas mulheres um atendimento psíquico, social e jurídico. “A maioria dos casos atendidos  são de mulheres que sofreram ou sofrem agressões por seus maridos ou companheiros por um longo tempo e  que, na maioria das vezes, não os denunciam por falta de informação ou medo da reação do companheiro após a denúncia” ressaltou a assessora da mulher.

Porém, o silêncio não protege a mulher, que fica ainda mais vulnerável quando não expõe a situação para ninguém. O agressor se fortalece com o silêncio e a covardia de um ataque contra a mulher ganha mais intensidade quando pode ser feito às escondidas. Sua maior arma, mulher, é a coragem de falar, de expor, de buscar seus direitos. Essa é sua maior proteção.

Tivemos a também a presença da Advogada Daniela Fontan, e do Vereador Pr Marcelo Gouveia, que nos apoia desde a 1ª Caminhada Rompendo o Silêncio, e encerrou o evento com uma oração.

As convidadas e as Voluntárias do Projeto Raabe atenderam cerca de 140 mulheres que tiveram suas dúvidas esclarecidas e receberam a cartilha da Lei Maria da Penha, para se inteirarem a respeito de seus direitos. É importante estar por dentro da lei, e não ter medo de agir enquanto há tempo.

Helena Ferreira Gouveia, Projeto Raabe – Alagoas e Vanessa Lampert

 

Clique aqui para ver as fotos da Caminhada em Alagoas.

Fotos da Caminhada – Acre, Bahia, Pará, Mato Grosso do Sul e Paraná

Veja as fotos do evento nos estados de Mato Grosso do Sul, Acre, Pará e Bahia!

Clique na foto para ampliar:

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Caminhada em Curitiba – Paraná

Mesmo abaixo de chuva, cerca de três mil pessoas percorreram as ruas do centro de Curitiba, no Paraná, neste sábado, dia 24 de novembro. A Caminhada Rompendo o Silêncio foi realizada pelo Projeto Raabe com o apoio do grupo Godllywood, em alusão ao Dia Internacional da não violência contra a mulher, comemorado no dia 25 de novembro.

A caminhada tem a finalidade de conscientizar a sociedade contra a violência doméstica, levando as vítimas a romper o silêncio, denunciando seus agressores.

 Após a caminhada foram realizadas palestras sobre a Violência Contra a Mulher, detalhando mecanismos de prevenção e combate, buscando mostrar para todas as famílias curitibanas o caminho da não violência. Profissionais como advogados, assistentes sociais e psicólogas também aderiram à campanha e prestaram consultoria para todas as mulheres presentes.

Estiveram presentes autoridades como Elizabeth Maia, presidente do Conselho Municipal da Condição Feminina; Delegada da Delegacia da Mulher, Dra. Araci Costa; Defensora Pública do Estado do Paraná, Dra. Elaine Oshima. O evento também contou com a presença do Prefeito eleito, Gustavo Fruet, do Deputado estadual Edson Praczyk e o vereador Valdemir Soares.

Durante o trajeto, as pessoas que passavam na rua se solidarizaram com a causa e se manifestavam através de acenos e buzinas. Algumas nos paravam para pedir ajuda, pois conheciam pessoas que estavam passando por violência doméstica. Também foi realizado um minuto de silêncio em frente à Santa Casa em protesto pelas vítimas da violência doméstica em todo o Estado do Paraná.

 A vendedora Sandra Maria Alves Trindade, 45 anos, conta que para ela a passeata foi o grito que explodiu: “Com certeza o objetivo do evento se cumpriu, o silêncio já foi rompido e as mulheres precisam agora de coragem para continuar lutando”.

O Rompendo o Silêncio em Curitiba marcou início de uma mudança. O começo de um novo tempo para as mulheres vítimas de violência doméstica, pois agora elas sabem que não estão mais sozinhas nessa batalha. Muitas pessoas se integraram à passeata, moradores de prédio acenavam e motoristas buzinavam apoiando a causa. A violência doméstica não é mais um grito solitário das mulheres, mas um grito de toda a sociedade

Clique aqui para acessar o vídeo da Caminhada em Curitiba.

 

Alessandra Soares – Projeto Raabe Curitiba.

 

II Caminhada Rompendo o Silêncio!

Um sucesso. Assim podemos resumir, em duas palavras, a segunda edição da Caminhada Rompendo o Silêncio, organizada pelo Projeto Raabe e pelo grupo Godllywood. Uma multidão saiu às ruas para protestar contra a violência doméstica e familiar, nas capitais do Brasil e em diversas cidades do mundo.

 A causa não atrai apenas àquelas que já foram vítimas de violência, mas também a muitas pessoas que entendem a importância de erradicar de nossa sociedade esse problema.

 Uma multidão vestida de preto, representando o luto da sociedade por tantas mulheres maltratadas e mortas. Tantas Mércias, Elizes, Eloás, Brunas, Lianas…tantas crianças abusadas, tantas marcas difíceis de serem apagadas. Mas a multidão em movimento representava também a esperança do avanço nas medidas de proteção às vítimas e na valorização das próprias mulheres.

 O evento também marcou a abertura de novas portas do Projeto Raabe em diversos locais, como Acre, Maranhão, Piauí, Sergipe, Tocantins, Campos dos Goytacazes e zona sul de São Paulo. Em todos os estados e em todos os países em que a Caminhada Rompendo o Silêncio se fez presente, houve um impacto positivo na vida de quem participou.

Seja durante a mobilização pelas ruas, com cartazes, máscaras, balões coloridos ou rosas vermelhas, alertando a população sobre a prevenção da violência; seja durante o evento oficial, com peças de teatro, depoimentos de sobreviventes e palestras de profissionais militantes pelos direitos da mulher; seja no atendimento espiritual, psicológico, jurídico e social que foi oferecido gratuitamente, as participantes receberam ferramentas para dar início a uma nova caminhada: a que as levará à superação e à vitória definitiva.

 Lutar contra a violência doméstica e familiar é lutar pela paz em nossas ruas, em nossas escolas, pois a violência que começa dentro de casa estende-se pela sociedade. A mulher que rompe o silêncio ajuda não apenas a si mesma, mas a seus filhos e a todos nós, direta ou indiretamente.

 A caminhada é um símbolo do que o Projeto Raabe tem feito pelo mundo afora: ajudando a transformar as vítimas em sobreviventes, mostrando que não estão sozinhas nessa batalha, que é de todas nós. O Projeto Raabe agradece a cada voluntária e cada convidado que participou desse belíssimo evento. É o segundo de muitos. Nosso trabalho não termina aqui. Pelo contrário, estamos apenas nos primeiros degraus de uma importante escada.

 Vanessa Lampert

Obs: Tantas coisas memoráveis aconteceram, que será pouco escrever em apenas um texto. Durante a semana colocaremos diversos outros posts a respeito da caminhada, com fotos e notícias. Fiquem ligados!